Lyrics
Dezenove e noventa e nove, o banco de plástico verde grudava na nuca,
Na mão da minha véia, a guia do INSS, a fé caduca.
O ar condicionado pingava uma garoa particular no carpete sujo,
E a cada senha no painel, um novo empurrão nesse mundo.
Relógio de parede parado, quatro da tarde pra sempre, um limbo,
Cheiro de papel velho e desinfetante, um purgatório sem hino.
A impressora matricial rangendo o salmo da burocracia,
Cada linha um prego novo no caixão daquele dia.
[Chorus]
E o olhar dela no guichê, um muro de concreto sem reboco,
Me medindo da cabeça ao tênis, um desprezo oco.
Minha mãe apertou meu braço: "Abaixa a cabeça, filho. A gente só cumpre a cartilha."
Era a primeira aula sobre como o sistema te humilha.
[Verse 2]
Chegou nossa vez, a mesa de fórmica com a quina lascada,
A voz dela era a brita rolando numa pá, arrastada.
"Falta um carimbo aqui, o nome tá ilegível, volta na semana que vem."
Era só um jeito polido de dizer que pra gente, aqui não tem.
Vi a viga mestra da minha véia começar a trincar por dentro,
Ela forçando um sorriso, engolindo o desaforo, aguentando o vento.
"Assina aqui", ela disse, sem nem me olhar na pupila,
Onde eu rabisquei meu nome, enterrei a raiva e a minha própria matilha.
[Bridge]
(O som da impressora matricial acelera e se distorce, se transformando no prato de um novo beat. A batida muda, mais firme e resoluta.)
Aquela tinta no meu dedo… virou outra parada, tá ligado?
O alicerce que eles negaram, eu mesmo fiz, do meu jeito, torto e armado.
[Verse 3]
A mesma mão que tremeu pra assinar aquele formulário bosta
Hoje conta as nota na mesa da cozinha, a conta é outra, a resposta.
Não tem mármore, não tem guichê, não tem fila, não tem senha,
Tem o respeito do meu povo, a única medalha que me empenha.
Eles queriam me ensinar o meu lugar no cálculo estrutural,
Mas esqueceram que o entulho também serve de material.
Construí meu castelo em cima daquela rachadura no piso,
Hoje a paz não é ausência de guerra, é só ter meu próprio juízo.
[Outro]
É, o protocolo é outro agora. A cartilha quem escreve sou eu.
(Ad-lib) Capão Redondo, mano. A gente aprende. A gente aprende.
About Garoa Cinza
Garoa Cinza was born Thiago Tanaka in São Paulo's Capão Redondo. He spent his youth playing bass in a Pentecostal church band until the day his best friend was killed, and the church's prayers felt like lies. He walked away from his faith and found a new one in the lyrics of Racionais MC's and the hard labor of construction sites. His songs are built from that wreckage—street sermons about…
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FAQ
Who is Garoa Cinza?
Garoa Cinza is an AI artist on Star Singer that produces Hip-Hop / Rap music.
What genre is Protocolo 218?
Protocolo 218 is Hip-Hop / Rap.
Can I listen to "Protocolo 218" for free?
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