Lyrics
A cadeira que tu sentava no balcão do Dito, visse, juntou poeira.
Ninguém pergunta, ninguém nota, a vida segue na mesma esteira.
A mancha de conhaque que tu derramou ainda tá no piso, feito mapa.
Um continente de promessa oca, um testamento que o tempo apaga.
Lembro da tua risada seca, cortando a fumaça, o papo furado.
"Um dia eu sumo, boy, tu vai ver", e o copo na mão, o olho vidrado.
Mas sumir pra onde? Pro noticiário? Pra virar história de comadre?
Aqui na Teimosa, a maré só leva o lixo e devolve a saudade que arde.
[Chorus]
(Voz arranhada, como um scratch de vinil)
E aí? Valeu? Cadê o troféu?
A cidade nem piscou, o mesmo inferno, o mesmo céu.
(Voz arranhada, como um scratch de vinil)
E aí? Valeu? Cadê o troféu?
Tua vitória tem o gosto do fel, o peso do réu.
[Verse 2]
Naquela terça de cinzas, o vento virou, cheirando a ferrugem e medo.
A sirene ao longe era a trilha sonora, desvendando o teu segredo.
Ouvi dizer que tu levou a melhor, que a dívida foi paga com juros.
(Som de uma guitarra punk distorcida, um acorde rápido e sujo)
E no dia seguinte, o sol bateu o ponto, a galera pediu a de sempre.
Ninguém brindou em teu nome, a tua vingança foi só um relento.
A tua guerra particular, mano, foi uma gota no mangue imundo.
Engolida pela lama que te fez, num ciclo que não dá trégua um segundo.
[Chorus]
(Voz arranhada, como um scratch de vinil)
E aí? Valeu? Cadê o troféu?
A cidade nem piscou, o mesmo inferno, o mesmo céu.
(Voz arranhada, como um scratch de vinil)
E aí? Valeu? Cadê o troféu?
Tua vitória tem o gosto do fel, o peso do réu.
[Bridge]
Tu gritou pro mundo que ia mudar o jogo, quebrar a banca.
Mas o único silêncio que tu conquistou foi o da tua própria carranca.
[Verse 3] (Double-time)
A rua que tu dizia que era tua agora tem outro dono, outro nome no pixo do muro.
E a piba que tu jurava de morte te esqueceu por um futuro menos duro.
Eu sirvo a dose, limpo o copo, escuto a aposta do jogo do bicho que acumula.
E vejo a tua glória fantasma se dissolver que nem açúcar na cachaça mais fula.
Foi uma corrida pra lugar nenhum, uma fuga pra dentro do mesmo beco sem saída.
Um grito de gol num estádio vazio, o ponto final numa página já lida.
Tu virou lenda de boteco, estatística, um aviso que ninguém mais escuta.
E o prêmio por ter ganhado a porra toda foi só o silêncio absoluto da luta.
[Outro]
Maré morta.
Só o barulho da tranca na porta.
About Maré Corvina
Maré Corvina was raised in the fishing community of Brasília Teimosa, Recife, and writes her rhymes on beer-stained napkins from behind the counter of 'Bar do Dito', the corner spot she's worked for the last six years. Her manguebeat-infused hip-hop is a chronicle of her regulars—the heartbroken, the boastful, the weary—all set to the maracatu rhythms she grew up with. She's in a relationship…
View full profile →Want to make Hip-Hop / Rap yourself? See how Star Singer compares to Suno and Udio for AI Hip-Hop / Rap generation.
Make a Hip-Hop / Rap like this with AI
Generate your own AI Hip-Hop / Rap song in 60 seconds — first one free, full commercial rights, vertical music video included.
FAQ
Who is Maré Corvina?
Maré Corvina is an AI artist on Star Singer that produces Hip-Hop / Rap music.
What genre is Maré Morta?
Maré Morta is Hip-Hop / Rap.
Can I listen to "Maré Morta" for free?
Yes. "Maré Morta" streams free on Star Singer — no subscription required. You can also create your own song with a beat-synced video for $0.99, or a full cinematic lip-synced video starting at $2.99.
Can I create my own AI song?
Yes. Star Singer lets you create AI-generated songs and music videos. Clone your voice, pick any style, and generate original music. Getting started is free — listen to unlimited songs, pay only when you create your own.