Lyrics
A primeira gaveta da direita, a que emperra no inverno e range alto,
Eu vi tu guardar teu soldo sujo ali, o troco amassado do asfalto.
Agosto de dois mil e dezenove, a poeira dançando no feixe da porta,
Tinha um chip da Tim que tu nunca usou, a foto de alguém que já tava morta.
Um isqueiro sem gás, uma comanda de bar com um fone de ouvido enrolado,
A tela trincada de um Samsung antigo, o santo de gesso com o braço quebrado.
Tu me olhou de lado, um bicho do mato com medo de luz no seu esconderijo,
E disse "Não mexe, é só tralha véia", a voz feito faca cortando sem fio.
[Chorus]
Isso não é lixo, é teu osso, é teu mapa, visse?
Cada caco de vidro, cada entulho que te escapa.
É a casca da ferida, a prova que a maré não te levou,
Cada peça é uma briga que tu sobreviveu, boy, e guardou.
[Verse 2]
Hoje eu sei que o chip era do teu irmão, a última vez que ele te ligou,
E a santa com o braço quebrado foi a única coisa que tua avó te deixou.
A tela trincada foi soco na parede do quarto alugado lá no Ibura,
Quando o despejo chegou sem aviso, sem trégua, rasgando a tua escritura.
A comanda do bar era de outra vida, outro balcão, outro nome no crachá,
Antes do cheiro de óleo e de fumaça, antes do teu corpo aprender a gritar.
Essa raiva que eu sinto não é minha, é herança, eu adotei pra criar,
De ver o que o mundo tentou te moer e as peças que tu conseguiu juntar.
[Chorus]
Eu guardo teu lixo, teu osso, teu mapa, visse?
Cada caco de vidro, cada entulho que me escapa.
É a casca da ferida, a prova que a maré não te levou,
Cada peça é uma briga, e hoje a briga é nossa, se ligou?
[Bridge]
Tu dorme do lado, respira pesado, nem sonha que eu tô de vigia,
Cuidando do estrago que o tempo te fez, noite fria após noite fria.
Eles queriam teu fim, teu naufrágio, tua cova no fundo do mangue,
Mas cada pedaço de entulho na caixa é uma gota do teu próprio sangue.
[Chorus]
Isso é nosso lixo, nosso osso, nosso mapa, visse?
Cada caco de vidro, nosso entulho, não escapa.
É a casca da ferida, a prova que a maré não nos levou,
Cada peça é uma briga, e o futuro a gente que assinou.
[Outro]
Fecho a gaveta. O rangido é um rosnado.
O teu passado tá trancado. E tá guardado.
About Maré Corvina
Maré Corvina was raised in the fishing community of Brasília Teimosa, Recife, and writes her rhymes on beer-stained napkins from behind the counter of 'Bar do Dito', the corner spot she's worked for the last six years. Her manguebeat-infused hip-hop is a chronicle of her regulars—the heartbroken, the boastful, the weary—all set to the maracatu rhythms she grew up with. She's in a relationship…
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FAQ
Who is Maré Corvina?
Maré Corvina is an AI artist on Star Singer that produces Hip-Hop / Rap music.
What genre is Entulho Santo?
Entulho Santo is Hip-Hop / Rap.
Can I listen to "Entulho Santo" for free?
Yes. "Entulho Santo" streams free on Star Singer — no subscription required. You can also create your own song with a beat-synced video for $0.99, or a full cinematic lip-synced video starting at $2.99.
Can I create my own AI song?
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